Cultura Backpacker: A arte estilosa de viajar

A cultura Backpacker mais conhecida no Brasil como “mochileiros” é o ato de se deslocar para um lugar onde possamos descobrir o que existe, em nós, algo que não conhecíamos até então. Além disso, trata-se de assumir a necessidade intrínseca ao ser humano de descobrir o novo, o inédito e ouvir histórias que mesmo um japonês da Liberdade não ilustraria com tamanha perfeição. É um ato simplório de mergulhar em outras culturas, entender outros hábitos e maneiras de se levar a vida, e acima de tudo, é conhecer a si mesmo. Manisfestar-se como mochileiro mesmo que seja por dez dias, trinta ou seis meses é a oportunidade única de livrar-se das limitações que colocamos em nossas vidas. Normalmente o mochileiro abre mão de “mordomias” pela troca de experiências legítimas que o levam a expandir sua cabeça e conquistar outros patamares.

A cultura Backpacker - Mochileiros 1
Já dizia Mário Quitanda “viajar é lavar a roupa da alma”.

Eu não falo inglês. E agora?

Todos nós sabemos que não falar inglês é um “diferencial negativo” seja no âmbito profissional quanto no pessoal. Para um mochileiro, não é diferente. Tudo bem que uma viagem para Espanha e Itália dá pra se virar com menos stress, mas o seu campo de atuação no velho continente fica bem limitado. Eu poderia descrever dezenas de motivos para você aprender inglês, mas não é o caso aqui e tão pouco será possível vislumbrar dicas mágicas. Acredito que o mínimo deve ser feito e você pode começar construindo um vocabulário básico, com alguma porção de frases prontas e um phrasebooks. Para o propósito, o importante é se desenrolar durante sua viagem com sentenças chaves, exemplo:

• Onde fica a estação de trem;
• Quanto custa um refrigerante;
• “Ei, por favor, pode tirar uma foto minha?”.

Eu prefiro a linha de livros phrasebooks da Lonely Planet porque tem um estilo leve e fácil de usar em várias situações: desde as interações sociais mais triviais até as apresentações que exijam mais formalidades.

A cultura Backpacker - Mochileiros 2
Vai deixar de chegar ao topo da montanha por que você não fala inglês?

Hotel, Hostel e oportunidades

Tente imaginar a seguinte situação, acompanhem comigo. Você acaba de chegar em Paris sozinho, faz o check-in no hotel e logo parte para desbravar a cidade. É um dia digno de verão e ansioso para conhecer os principais pontos turísticos desce então na estação de metrô Trocadero, curte a paisagem lá do alto da Torre Eiffel, serve-se de um delicioso pain au chocolat, corteja a cidade por horas com olhar de criança e mais tarde volta para o hotel depois de um dia cheio de novidades. Tudo perfeito e caminhando conforme planejado, claro, se não fosse por uma coisa: o “fator perdendo oportunidades”. Depois de alguns minutos no quarto do hotel você vai logo perceber que ir do canal 34 até 143 em menos de um minuto é a atividade mais empolgante que pode encontrar. Eis a diferença. Um hostel (mais conhecido como albergue) o colocará em outro nível de vantagem. Você irá conhecer outros viajantes que assim como você estarão na mesma “pegada” de mochileiro, e é a sua chance de pegar dicas que em um hotel você não encontraria ou até mesmo quem sabe mudar o seu próximo destino. Outra vantagem é de vivenciar centenas de realidades diferentes ao seu redor, entender outros modos de ver e aproveitar a vida. E no final das contas, onde mais você teria oportunidade de começar a noite explicando para uma sueca de como é feita a caipirinha? É meu amigo, você instantaneamente se tornou o melhor barman no raio de 2 km e vai deixar o filme Eurotrip mais parecido com episódio dos Ursinhos Carinhosos!

A cultura Backpacker - Mochileiros 3
“O trem partirá daqui 5 minutos”

Método Planejamento Dinâmico ou Viajar dem Rumo? Qual seu estilo?

O planejamento de um roteiro é essencial para levantar os custos, tempo e locais escolhidos da viagem. Isso é o que eu chamo de MPD, talvez uma maneira mais conservadora, e por isso há quem prefira o viajar sem rumo que, no entanto, pode esconder algumas dificuldades. Enquanto o MPD te deixa confiante, o viajar sem rumo cria uma sensação de liberdade que só aumenta ao longo do percurso. Ainda viajo pelo método do planejamento dinâmico reservando voos e hospedagem com antecedência, mas pretendo algum dia escolher o outro estilo. O alemão Christoph Rehage é certamente uma mistura dos dois estilos na arte de viajar, pois ao mesmo tempo em que planejou com vários níveis de detalhes sua caminhada da China até a Alemanha (isso mesmo, o cara caminhou), conseguiu nos deixar com um espírito de “vamos nessa e vamos ver o que vai dar”. Assista ao vídeo The Longest Way, produzido por ele mesmo.

Inspiração?

Para fechar o texto com uma boa dose de inspiração, um rapaz chamado Matt no ano de 2003 deixou seu emprego em Brisbane na Austrália para explorar o sudeste asiático. Durante sua visita em Hanói seu amigo Brad Welch sugeriu: “Ei, por que você não faz aquela dança para que eu possa gravá-la?”. Matt postou o vídeo de sua dança no youtube e desde então não parou mais. Foi ai que a empresa Stride resolveu patrocinar as viagens de Matt contanto que fizesse mais de suas danças pelo mundo. De tudo isso uma coisa é certa, esse viajante nos ensina que somos capazes de mudar o caminho que escolhemos e que não precisamos ter medo do que vem pela frente.

Vídeo do Matt.

Texto escrito por Lucas Jardim.

2 Comentarios

Taí uma coisa que sempre sonhei – e o texto atiçou minha vontade de apelar ao MPD o mais rápido possível. Você esclareceu algumas dúvidas minhas sobre a diferença entre o planejamento dinâmico e o improviso total que regem uma viagem Backpacker … pelo visto, viajar assim é uma ciência muito mais gratificante do que ousei imaginar.

Sempre tive a impressão de que viajar é a melhor maneira de despertar para uma lucidez dos sentidos, ver a pluralidade do mundo e minar as limitadas “verdades absolutas” de nossa mente, conhecendo pontos de vista que quebram os paradigmas estabelecidos pela nossa rotina, pela nossa cultura.

Parabéns pelo texto, parabéns pelo site. Motivador!

Feito por Denis — November 6, 2012 @ 1:18 pm



Obrigado pelo comentário Denis. E ficamos felizes por ter trazido esta informação até você. Esse texto foi escrito por um Zupper Amigo, Lucas Jardim, colaborador do nosso blog. Ele tem muitas histórias para contar e dicas para dar, como as que você viu logo acima.
Continue nos acompanhando para ver quais serão suas próximas postagens!
Atenciosamente Z.

Feito por zupper — November 6, 2012 @ 5:09 pm



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